Tchalé Figueira

Tchalê Figueira nasceu no Mindelo, ilha de São Vicente, em 1953. Aos 17 anos, por razões políticas nacionais, decide sair de Cabo Verde, rumo a Roterdão. Porém, permanece pouco tempo nessa cidade, viajando por vários países da Europa, Ásia e Américas. Em 1974, instala-se em Basileia (Suíça), onde frequenta a escola de belas artes, definindo o território suíço como a base da sua evolução artística. Regressa a Cabo Verde em 1985 e reside entre a Cidade da Praia, onde possui um ateliê, e a cidade de Mindelo, onde abriu em Dezembro de 2014 a galeria “Ponta D’Praia”.

Artista caudaloso e versátil, Tchalê Figueira possui uma vasta coleção pictórica, reconhecida em diversos países, fruto das diversas exposição concretizadas ao longo do seu percurso artístico. Possui uma considerável obra literária de contos e poesia onde destacam-se “Todos os Náufragos do Mundo” (1992), “Onde os Sentimentos se Encontram” (1998) e “O Azul e a Luz” (2002), “Ptolomeu e a sua Viagem de Circum-navegação” (2005), “Solitário” (2005) e “Contos da Basileia” (2011). Em 2008 foi premiado pela Prix Fondation Blanchère na Bienal de Dakar.

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Tchalê Figueira é um artista frontal, pragmático e observador. Pensa, age e produz muito. Caracteriza-se pela maneira própria de ser e de pintar. A maioria das personagens retratadas são mitos criados pelo seu destro artístico. As obras de Tchalé Figueira enquadram-se em fases distintas, possuem o seu próprio tratamento pictórico e espaço poético, são criadas através da influência de acontecimentos histórico-sociais, inspiradas pela vivência dum lugar ou pela envolvência.

O “Tratado de Berlim” pertence à série denominada “Uma Breve História Colonial em África” e foi a única que, na expografia desta exposição, não foi suspensa. O seu posicionamento teve o condão de amarrar as várias linguagens e mensagens, tendo como fio condutor a alma própria do lugar sagrado, o seu conteúdo perceptivo, seus significados e formas. De diálogo e estética tensos, o quadro descreve e expõe a atmosfera da assinatura do Tratado com os seus atores. Esta obra, distinta e acentuada, permitiu à expografia condensar o objectivo pictórico transmitido pelo artista e o sentimento de identificação que este espaço proveniente do passado transmite. As 12 cadeiras retratadas na obra remetem para a simbologia dos 12 apóstolos e a presença gráfica da África no meio da composição alude ao cálice usado por Jesus na última ceia. A contribuição para a tematização estético-artística advém ainda da presença de instrumento de medição, o círculo delineado pelas cadeiras, as figuras humanas em movimento e o carácter vincadamente interventivo da obra no lugar.

Obrigada Tchalê Figueira, pela partilha pela sensibilidade em compreender as dificuldades do projecto e sobretudo, obrigada pela força, amizade e pelas prazerosas conversas partilhas ao longo desta caminhada.

Marzia Bruno

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