Nelson Lobo

Nelson Lobo, nascido em Cruz de Picos (Santa Catarina de Santiago) em 1952, frequentou diversas escolas artísticas na Europa, nomeadamente, a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e a “Rijksakademie Van Beeldende Kunsten” em Roterdão, tendo frequentado ainda um curso de artes plásticas em Paris.

O seu primeiro contato com a pintura deu-se ainda antes de ir para o liceu e os proveitos da venda de uma obra permitiram-lhe financiar a viagem para Lisboa com o intuito de estudar Belas Artes. No entanto, a sua individualidade artística começou cedo a ganhar forma com os seus desenhos anti-colonialistas, imagens que lhe afogavam o pensamento e demonstravam as suas predileções políticas. Expôs pela primeira vez na Cidade da Praia, em 1969 e, em 1971, realizou a sua segunda exposição individual de pintura em São Vicente, onde também apresentou uma vintena de peças de escultura feitas com raízes da mandioca. Esta foi a sua primeira experimentação no campo da escultura.

Agraciado com a medalha de mérito de 1.ª classe pelo Ministério da Cultura cabo-verdiano, já expôs em várias paragens, notadamente, Roterdão, Lisboa e Paris. Este prolífico artista torna evidente na sua obra o seu particular interesse e fascínio pelo corpo feminino.

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Nelson Lobo ocupa uma posição eminente no panorama artístico cabo-verdiano. Descontraído, instintivo e sensível, define-se e caracteriza-se pela sua forma humilde de trabalhar. A arte é criada como interlocutor de conceitos e sensações, filtrados pelos olhares atentos e vincados das vicissitudes da vida do artista.

Por um lado, as dimensões, formas e cores não são fruto do acaso nas obras de Nelson Lobo. O poder reflexivo, a substancial aparência platónica do “belo” e a expressão gráfica e artística vão para além da aparência. Traduzem, como confirma o próprio artista, a prelecção, a pintura pela pintura, a arte pela arte.

Por outro, o suave perfume do sentimento de Nelson Lobo está na forma como retrata a figura humana. Por conseguinte, o corpo feminino, colorido, vivo e belo, é uma constante nas suas obras patentes nesta exposição, centralizando a figura feminina enquanto intermediária e metáfora da identidade. Atraído pelo comportamento e pela postura da mulher, o traço inconsciente mostra o envolvimento de um artista que teve o poder de sentir.

A finalizar, uma menção especial de agradecimento ao artista pela disponibilidade, pelas conversas partilhadas e pelos bons momentos vivenciados à volta do projeto.

Marzia Bruno

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