Manuel Figueira

Manuel Figueira, uma das sumidades do panorama artístico cabo-verdiano, nasceu em 1938 e reside na sua cidade natal, Mindelo. Cursou na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 1960 e realizou diversas exposições em vários países antes de regressar definitivamente à sua terra natal antes da independência do país, em janeiro de 1975.

Co-fundador da primeira galeria mindelense “Azul+Azul=Verde”, dedicou-se ativamente na revitalização da cultura popular, onde deposita a sua convicção de que reside a sabedoria cultural e local. Fundou a Cooperativa Resistência em 1976, coadjuvado por colegas e a sua esposa Luisa Queirós, com o fito de preservar a tecelagem tradicional, tapeçaria e tingidura. Preponderante na emancipação das artes plásticas cabo-verdiana enquanto artista, dirigiu o Centro Nacional do Artesanato entre janeiro de 1978 e março de 1989. O prolífico artista Manuel Figueira continua na sua cidade natal, desde então, com a sua criação e elaboração artística, fortemente marcadas pelos poderosos símbolos do imaginário popular e pela observação da realidade cabo-verdiana com olho crítico e pensamento profundo.

Manuel-Figueira-01

Manuel Figueira é um artista serenamente apaixonado. As vivências o induzem a uma recusada resignação. Um artista de entrega e partilha, um artista amigo, com pinceladas de tons quentes e frescura dos tons frios. Hoje entendo o porquê daquela desconfiança inicial em facultar as suas criações para a exposição.

As horas passam, a conversa flui, o encanto das histórias contadas são transportadas em linhas figurativas, intersetadas com linhas geométricas, letras e símbolos. Tudo encaixa-se e harmoniza-se numa consonância compositora.

A representação gráfica e pictórica das duas pinturas expostas são como “notas” soltas que não possuem espaço circundante nem perspectiva e direcção. Flutuam num movimento estático, à procura do encaixe, da ressonância certa. Tudo é aparentemente uma ode, tornando imperioso encaixar as “notas” no lugar certo, preencher, formular a pauta, detetar e extrair o sentido da melodia.

O olhar da aparência caótica, das figuras, do grafismo e dos objetos conduzem-nos para uma harmonia narrativa, onde tudo têm e faz sentido, o sentido de fazer reviver e vibrar a alma.

Obrigada Manuel pela confiança depositada em mim, por teres tecido uma nova linha no meu percurso artístico e por teres deixado uma “aberta”, para que a minha vida possa continuar a “circular”.

Marzia Bruno

Vídeo de Apresentação

Portfolio