José Maria Barreto

José Maria Barreto é um prestigiado artista cabo-verdiano que nasceu em 1957 na Assomada e atualmente reside na Cidade da Praia, (Ilha de Santiago). Em contato com as artes plásticas desde muito novo, licenciou-se em S. Petersburgo (Rússia) com o grau de “Master of Fine Art” na Academia de Belas Artes no curso de Pintura Monumental em 1985, onde refinou a perceção, a linguagem e a realização estética. Após a experiência académica, regressou à ilha de Santiago onde, entre 1985 até 1988, lecionou na sua terra natal. Após diversos cargos, dirigiu em 1994 o departamento da Animação Cultural do Instituto Nacional da Cultura (INAC).

No decurso da sua já longa carreira artística, José Maria Barreto estagiou em sítios como Géneve, Lisboa e Dar-es-Salam, e participou ativamente no desenvolvimento artístico cabo-verdiano, estando ao serviço de diversas associações culturais. Em 2012 começo uma nova caminhada enquanto administrador da CI – IPICV (Comissão Instaladora do Instituto da Propriedade Intelectual de Cabo Verde), onde desempenha funções na valorização da dimensão artística e cultural dos cabo-verdianos.

Participou em diversas exposições em África, Europa e EUA, exteriorizando a linguagem construída ao longo da sua trajetória e que resulta do entrecruzamento de fenómenos artísticos como os ícones da Igreja Ortodoxa Russa e elementos tão importantes como o “homem e a vida”.

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José Maria Barreto, com a sua sensibilidade para a abordagem das questões sociais, é um artista em três dimensões: afluente, afável e cordial. Detentor de um furacão artístico interior, é impaciente com as circunstâncias da vida, óbice e sufoco das suas evoluções artísticas.

O seu processo de comunicação visual tem rigor e mestria, da linha rígida e firme, plasmada através da alternância das cores, nuances quentes e frias dos naturais pigmentos utilizados. A técnica adotada, como uma verdadeira alquimia, mergulha-nos num entrelaçamento neorrealista da sabedoria medieval russa, mesclada com as vivências das raízes crioulas.

O diálogo coloquial, a racionalidade compositiva que transmite nas criações apresentadas nesta exposição, a força sugestiva da representação remetem-nos para a história, percurso e tradição da criação do povo cabo-verdiano, retratando cenas do seu quotidiano cuja figura da atuante e indómita mulher, e mãe, cabo-verdiana é uma constante.

Os seus trabalhos espelham a sua personalidade. A esmerada composição narrativa, não se esgota somente numa historia gráfica ou num relato histórico, é uma força de sentimentos absorvidos em conteúdos de dominadores e dominados, em uma força expressiva e histórica mesclados com representações simbólicas, texturas cromáticas, estudos de tones e de composição o tudo coroado de uma áurea de técnica e paixão artística.

Obrigada José Maria Barreto pela partilha e amizade mas, sobretudo, por teres transmitindo o teu olhar através da tua obra, em atos de reflexão e beleza, com pensamento crítico, mestria e técnica, deslindando toda a atmosfera da luta, história e tradição do povo cabo-verdiano.

Marzia Bruno

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