Alex da Silva

Alex da Silva é um artista de raízes cabo-verdianas mas nascido em Luanda em 1974. Viveu a sua adolescência nas ilhas de Cabo Verde e, empurrado da exigência de conhecer e explorar o mundo, foi para Roterdão onde formou-se com distinção em 1999 na “Willem de Kooning Academy of Art and Architecture”. Também estudou na “Facultad de Bellas Artes Alonso Cano” da “Universidad de Granada”, no âmbito do programa de intercâmbio “Socrates/Erasmus”. Na sequência, regressou aos Países Baixos, em 2000, para concluir a sua pós-graduação na “Minerva Academy”, em Groningen.

Um artista intenso, as pinceladas de Alex da Silva na superfície bidimensional têm a intenção de transpor as concordâncias e divergências das vicissitudes da vida para a perceção do observador, fundindo-se ali. A sua arte distingue-se por ressoar o seu olhar minucioso, analítico e audaz, com elevado grau de tonalidade e subtis harmonias. Em 2013 concebeu um monumento em memória da Escravatura em Roterdão. Neste momento, permanece engajado nas suas criações artísticas e na gestão da sua galeria “Zero Point Art”, seu espaço de experimentação pessoal sito no Mindelo, onde também é marchand e curador.

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Alex da Silva é um artista peculiar na ausência, que é a essência de quem presencia no vazio aparente a própria exuberância, o artista das cores vivas e das vibrantes texturas cromáticas. Durante o seu processo criativo as obras passam pela conciliação de diversas superfícies, posteriormente preenchidas com materiais e cores, concita o gesto que dá ânimo à obra. A sensibilidade cromática e a autonomia expressiva das cores plasmam-se, intersetam-se e criam imagens e conteúdos que, intercalados, conferem um grafismo cicatrizante, grafando uma mensagem e instando uma reflexão.

Os dois trípticos emprestados e expostos ao longo da nave da igreja, não significativos da produção do artista, criam uma interrupção gráfica, temática, modular e simbólica e orientaram o processo de mediação e, em simbiose com as restantes obras, contribuíram para criar um multifacetado panorama, revelar as estratégias de interpretação e permear as conceções intrínsecas do cenário e os seus contextos.

Por um lado, o espaço não é somente o lugar onde acontecem as coisas, são as coisas que fazem eclodir o espaço. Por outro, a superfície pictórica dos dois trípticos, impregnada com uma dimensão gráfica libidinosa, contrasta e questiona um espaço sagrado, reagindo com o contexto com impetuosidade, como um campo de tensão que está suspenso, pronto a detonar.
Por fim, importa salientar a simpatia e o precioso apoio dado à preparação da mediação da parte dos colaboradores da galeria “Zero Point Art”, e expressar o devido agradecimento ao artista e amigo Alex da Silva pela experiência artística partilhada.

Marzia Bruno

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